stand-up das 6

eu tenho uma biblioteca de dores
relatos confusos da vida
capítulos sem despedidas

na estante há um espaço vago
onde o vazio do peito se encaixa
na espera de ouvir seus ruídos
inconfundíveis depois das seis

na narrativa difícil do nada
divagações invisíveis da saudade
o encaixe perfeito da solidão

por que você não volta pra mim? hoje é sexta-feira.

Saudades do tempo em que a gente andava para cima e para baixo juntos. Ah que tempo bom aquele! Até parece que foi ontem o dia que aquele rapaz partiu seu coração e você veio correndo me pedir ajuda. Assim como um filho pede a sua mãe para passar merthiolate no machucado depois de ter se ralado todo andando de bicicleta. Eu te ajudei, eu não me neguei, até porque quando se ama não medimos esforços para nada. E veja só hoje, nem nos falamos mais. Com certeza você arranjou um outro alguém pra te ajudar, te consolar, te ouvir reclamar disso e aquilo. Mas de certa forma eu ainda sinto que você sente saudades de mim, de nós.
Wesley Trajano. (via despetala)
priveting:

untitled by andrew.nuding on Flickr.
brutalgeneration:

Dernières lueurs sur le massif du Mont Blanc (by SaGa | Photo)
aphelia:

(by David Theodor Thorsen)
Ia escrever sobre você de novo. Desisti. Tenho perdido muito tempo com você, tenho perdido todo o meu tempo com você. Me perdi em você, perdi você, agora me perco por você. Perco todo o meu tempo com você. As vezes perco todo o meu tempo perguntando se isso é perda de tempo. Será que você perde o seu tempo comigo? Isso não é sobre você. Isso é sobre eu tentando pensar em outras coisas.
PC Siqueira.   
(via s-i-m-p-l-i-f-i-c-a-r)
Perder a juventude, de alguma maneira, é perder sua utilidade. Acaba sendo uma consequência natural da vida. Quando o tempo sopra sobre nós essa poeira. Quando vamos perdendo as habilidades e destrezas da juventude, a gente experimenta essa inutilidade que a velhice proporciona. A utilidade é gratificante, porém cansativa, acredito até que seja algo perigoso. Porque muitas vezes pensamos que as pessoas gostam da gente, mas não, elas estão interessadas naquilo que a gente proporciona. É por isso que a velhice é esse tempo que passa a sua utilidade, e fica só o seu significado como pessoa. É o momento que a gente tem a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Porque só nos ama, e só ficam até o fim, aquele que depois da utilidade, descobriu o nosso significado. Por isso, sempre peço a Deus para que eu possa envelhecer ao lado das pessoas que me amam, aquelas pessoas que podem nos proporcionar aquela tranquilidade de ser útil, mas o mesmo tempo sem perder o valor. Por isso peço a Deus alguém que saiba colher minha inutilidade, alguém que olhe pra mim e saiba que eu não sirva pra muito coisa mas que eu continuo tendo o meu valor. Porque a vida é assim, se você quer saber quem te ama de verdade, é só identificar se ele seria capaz de tolerar sua inutilidade. E, se quer saber se você ama alguém, pergunte a si mesmo: Quem nessa vida já pode ficar inútil pra você, sem que você sinta aquele desejo de jogá-lo fora? E é assim que descobrimos o significado do amor, pois só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo, que feliz é aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir a fala que diz: Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você.
Padre Fábio de Melo.  (via repouse)
E te imagino em poses e sorrisos, voz grave e cabelos desgrenhados, preso nas minhas fantasias mais loucas e movimentadas. Numa delas sou um bichinho invisível, com asas, que adentra tua casa e te observa em segredo. Faço o contorno do teu corpo todo com os olhos, parada contra a parede do teu quarto, imóvel, enquanto tu te atiras na cama. Cansado. Tu olhas para o teto imaginando mil coisas, memórias, compromissos, desejos, saudades. Te fito com dor. A luz do abajur faz sombra na tua pilha de livros, que folheei um dia e quis pedir emprestado mesmo sabendo que não havia intimidade para pedidos. Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás. Retrocessos. Descaminhos. Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites passadas. Tu não me vês, estou incógnita a te observar. Como sempre estive, olhando pelas janelas, de longe, coração apertado. Nós poderíamos ser amigos e trocar confidências. Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe pela manhã aos beijos num hotel em Paris. Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia atenta, numa tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até o fim dos meus dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos, duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas e asperezas subentendidas, possibilidades de surpresas boas. Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada. Tu dormes, e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. Embora queira. À distância, permaneço te contemplando. E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha solidão.
Caio Fernando Abreu.  (via despetala)